Entrevista: Débora Bertol

Postado por: Sabor Caseiro Categoria: Sabor Caseiro Tag: , Comentários: 0 Data de postagem: setembro 18, 2020

Entrevista: Débora Bertol

A psicanalista explica os impactos da pandemia na saúde mental 

 

Em 2020, estamos vivendo um dos momentos mais desafiadores da história da humanidade: a pandemia da Covid-19. A doença, que atingiu proporções globais, provocou diversas mudanças na forma como trabalhamos, consumimos e nos relacionamos. Para frear o avanço da enfermidade, fomos obrigados a nos isolar em nossas casas, deixando de frequentar escolas, locais de trabalho e eventos sociais. Diante desse cenário, a comunicação através do digital foi essencial para nos comunicarmos e mantermos contato com nossos amigos e entes queridos. 

Todas essas mudanças impactaram de maneira profunda a forma como vivemos. Mesmo quando a pandemia estiver controlada e o cenário mais próximo do habitual, a tendência é que muitos resquícios desse período ainda nos acompanhem por muito tempo. Nesse contexto, o emocional é um dos aspectos que merece mais atenção e que se torna muito relevante. Todas essas transformações que atravessamos refletem em nossa saúde mental. A psicanalista Débora Bertol explica sobre a influência da pandemia na saúde mental e traz algumas sugestões sobre como atravessar de forma mais saudável esse período. Confira a entrevista:

 

1 – Em 2020, vivemos um cenário atípico em função da pandemia da Covid-19. O isolamento social e a comunicação através de telas proporcionaram mudanças significativas na vida das pessoas e na forma como se relacionam. O que se pode esperar do momento pós-pandemia?

Nesses tempos de pandemias em que vivemos (porque são vários), muitas situações que já existiam ficaram mais evidentes: as questões relacionadas à desigualdade social, às crises: sanitária, política e ambiental. O isolamento social como medida de contingência foi determinante para que pudéssemos nos proteger e proteger o outro, entretanto seus efeitos na saúde psíquica são imensuráveis. Ninguém imaginava passar por uma situação desta, exceto na ficção. Pela urgência do momento, a comunicação passou quase que exclusivamente para as redes virtuais: para assistir as aulas, conversar com os amigos, parentes, trabalho, lazer e se manter informado. 

A tecnologia passa a ser uma espécie de fetiche, ou seja, as pessoas são levadas a acreditar que é sinônimo de progresso, de liberdade, que melhora a autoestima, que tem muitos amigos, diminui o tédio, etc. Sabemos que a tecnologia não é neutra, ao mesmo tempo em que “facilita o contato”, influencia nas compras e até mesmo nas eleições (tecnopolítica). No Brasil, cerca de 70% dos brasileiros estão vinculados às redes digitais, ficando cada vez mais sozinhos e com dificuldades de se relacionar com o outro, alguns chegam a romper relações (amigos, casais, familiares). Alguns motivos: não ter dado like ou ciúmes, por exemplo. Um dos aspectos da tecnologia é manter grupos divididos entre eles, onde não há interlocução. Não são chamados de usuários ao acaso. Possivelmente, após esta pandemia, teremos outra de saúde mental. Já há um grande aumento de depressões e suicídios, alcoolismo, etc.

2 – Como o estado emocional pode afetar o cotidiano e a vida de uma pessoa?  

 Isso é de cada um, cada indivíduo tem a sua maneira de estar na vida.

3 – Quais atitudes e hábitos devemos adotar para atravessar de forma mais saudável esse período de pandemia e manter nossa saúde mental quando o cenário se normalizar?

Já temos a experiência de 6 meses de confinamento e cada um encontrou a sua medida. Para atravessar esses tempos atípicos, é importante manter as rotinas dentro do possível e apostar na capacidade que temos de prosseguir. Nenhum processo é irreversível.

 

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